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Agronegócio: Financiamento, Mercado de Capitais e o Papel do FIAGRO

Agronegócio: Financiamento, Mercado de Capitais e o Papel do FIAGRO

O agronegócio brasileiro é um dos setores mais relevantes da economia nacional e, nos últimos anos, tem buscado novas formas de financiamento para sustentar sua expansão, modernização e competitividade. Nesse cenário, o mercado de capitais passou a ocupar um papel cada vez mais importante, oferecendo alternativas além do crédito bancário tradicional.

Em publicação de 30 de maio de 2023, o Demarest informou a realização do webinar “Agronegócio: Financiamento, Mercado de Capitais e o Papel do FIAGRO”, promovido em parceria com a ABAG e a XP Investimentos. O encontro reuniu nomes do setor para discutir opções de financiamento para o agronegócio, oportunidades com o FIAGRO e aspectos de sua regulamentação.

Participaram do evento Thiago Giantomassi, José Diaz, Pedro Lupion, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, Bruno de Freitas Gomes, Leticia Possari da Silva, Bruno Gagliolli, Bruno Rafael Santana, Luis Felipe Trindade e Pedro Freitas, em apresentações e mesas de debate voltadas aos desafios e oportunidades do financiamento agropecuário.

O FIAGRO, Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio, é uma modalidade de fundo voltada à aplicação de recursos em ativos ligados ao setor agro. De forma simplificada, ele reúne recursos de investidores e direciona esse capital para ativos relacionados à produção, imóveis rurais, direitos creditórios, participações e outros instrumentos vinculados às cadeias produtivas do agronegócio. A B3 define o FIAGRO como a reunião de recursos de diversos investidores para aplicação em ativos do agronegócio, sejam eles de natureza imobiliária rural ou ligados às atividades produtivas do setor.

A importância desse instrumento está justamente na conexão entre investidores e produtores, empresas, cooperativas e demais agentes do agronegócio que precisam de capital para financiar suas atividades. Com o FIAGRO, o setor passa a acessar uma fonte complementar de recursos, com estruturas reguladas e maior integração ao mercado financeiro.

O crescimento desse mercado confirma sua relevância. Segundo a CVM, entre março de 2023 e março de 2025, a indústria de FIAGRO cresceu 204%, com patrimônio líquido passando de R$ 14,7 bilhões para R$ 44,7 bilhões. No primeiro trimestre de 2025, já havia 145 fundos operacionais e R$ 47,7 bilhões em patrimônio líquido no segmento.

Outro instrumento importante para o financiamento do agro é o CRA, Certificado de Recebíveis do Agronegócio. De acordo com a CVM, os CRAs cresceram 42% entre março de 2023 e março de 2025, passando de R$ 110 bilhões para R$ 156 bilhões. A autarquia também informou que 92% dos recursos captados por meio de CRAs são destinados ao financiamento de produtos agropecuários “dentro da porteira”.

A regulamentação também vem avançando. A Resolução CVM nº 214, de 30 de setembro de 2024, acrescentou à Resolução CVM nº 175 regras específicas para os FIAGROs. A norma entrou em vigor em 3 de março de 2025 e estabeleceu que os FIAGROs já em funcionamento devem se adaptar integralmente às novas regras até 30 de setembro de 2025.

Na prática, o FIAGRO representa uma evolução importante para o financiamento do agronegócio brasileiro. Ele amplia o acesso a capital, permite maior participação de investidores no setor e ajuda a diversificar as fontes de financiamento para produtores e empresas da cadeia agroindustrial.

Entre os principais pontos positivos do FIAGRO estão:

• Ampliação das fontes de financiamento para o agronegócio
• Maior aproximação entre o setor agro e o mercado de capitais
• Possibilidade de captação de recursos para diferentes elos da cadeia produtiva
• Diversificação para investidores interessados no setor
• Estruturas reguladas e acompanhadas pela CVM
• Potencial de crescimento em um dos setores mais relevantes da economia brasileira

Ao mesmo tempo, o avanço desse mercado exige atenção à governança, transparência, gestão de riscos, qualidade dos ativos e segurança jurídica. Como todo investimento, o FIAGRO envolve riscos, como inadimplência, variação de preços, riscos climáticos, riscos de mercado e mudanças regulatórias.

O debate sobre financiamento, mercado de capitais e FIAGRO mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez mais conectado a instrumentos financeiros sofisticados. Essa aproximação pode ajudar o setor a crescer com mais eficiência, atrair novos investidores e fortalecer a infraestrutura financeira necessária para sustentar sua expansão nos próximos anos.